December 2011
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Pensei em escrever, ao filho de Deus (mas lembrei que ele nem me ligou, no meu aniversário…).
- Eu não irei lhe machucar apenas feche os olhos. Então, num gesto violento, lhe abraçou e sussurrou algo que nem os anjos ouviram.
Você vê aquela ilha longe onde a linha do horizonte parte o mundo ao meio? Você vê aonde quebram as ondas tristes no arrecife onde um barco naufragou? Você vê os restos vagos que na praia descansaram sem saber pra onde ir? Sou eu.
Não sei; quis te escrever. Talvez eu ande um tanto só (você diria isso) e meus olhos cansados (você também diria) e meu corpo abatido (você diria?), e eu não possa mais um passo qualquer que seja aquele que (você não diria nada disso) tomasse O rumo ou ainda - não gosto do rumo desta carta. Por isso não tomei O rumo talvez, não gosto d’O rumo. Nem disso pois não é necessário nem útil. Você...
O que faríamos dois de nós em plena guerra justificada? Seríamos sombras. Não sei se você me compreende mas talvez seríamos sombras de qualquer forma. O segredo? Era abrir os olhos e te ver assim, despida de sonhos. Como numa quarta feira de cinzas. O dia mais alegre do carnaval é a quarta-feira. É quando a dor do pecado pode ser saboreada… A dor é como um doce que dá dó de não comer,...
Em silêncio, fechou as cortinas e foi se fechar num casulo. Acordou não - quem acordou foi outro animal, outro ser que não sabia ainda o que faria.
Se enganando com um caleidoscópio cinza e triste. E meio opaco. Mas era o que havia ao alcançe das mãos, então sentou e fingiu se divertir com o que fingia ser útil.
November 2011
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O homem mais velho olhava o rapaz, o rapaz olhava a mulher, a mulher olhava a criança, e a criança olhava. Ninguém sabe o quê uma criança olha: foi um cachorro que passou longe na rua, e cinco anjos que jogavam bilboque no céu. E ninguém mais viu nada disso. A única coisa que fazia sentido ali era o mar - pois o mar se pode sentir com todos os sentidos, se bebe, se vê, se ouve, se toca, se...
Abriu a janela e parte de si viu o mar; parte de si viu o desconhecido. A que viu o desconhecido pulou; a que viu o mar se viu e permaneceu a contemplar.
Ana era uma garota pequena, mas tão pequena que era assombroso tocar seus braços, que se partiriam e virariam cacos de gente. Um dia ela disse qualquer coisa de amor. E não era possível acreditar que num ser tão pequeno cabesse qualquer sentimento muito grande. Talvez um dia ela não suportasse, mas ela sumiu como é da natureza das coisas pequenas. E foi isso.
A vontade de viver hoje aquilo que não se deveria querer viver, nem saber do desejo, nem pensar nisso tudo.
Pouso a solidão na janela
debruçada que nem moça
despretensa esperando
ver um pássaro voando
Que fiz eu da solidão
senão embelezá-la?
Chamo eu de fantasia
toda tristeza embotada
Que fiz eu dessa janela,
senão fechá-la a tranca?
Passarinho não mais pousa
não mais voa e não mais canta.
Vou te contar uma coisa. Não queria ser assim, queria ser dessa forma que sou agora, escrevendo para você. Queria ser escrito, palavra, que é meio morta mas é sempre incólume, visível, verdadeira mesmo sendo mentira. Sabe, eu queria fazer todo mundo sorrir mas tem gente que prefere passar longe de mim. Sabe, eu queria encantar todo mundo mas tenho medo e faço uma cara feia. Sabe, queria...
October 2011
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Que perdi pelo caminho foi a luz, ou a coragem? longo e negro manto trajem todo sonho não vivido. Era o caminho florido? ou de escuridão tomado? doce ardor no colo trago deste sonho interrompido.
De afagos afoito, afável, assaz mas aflito. Um fluído felino infeliz.
Um belo e esguio gato pardo, de pelo macio e olhos tensos. Pula muros e sobe telhados solitário, e recebe afagos imaginários de pessoas cujas feições lhe assustam. Em suma, um gato infeliz.
(rascunho de texto, de abril/09 com o nome de “again ‘n again”, abortado e nunca acabado).
É tão fácil…
Eu voltei pra aquilo que eu tinha perdido. Me sinto tolo sim, mas(…)
Pulou de cima do telhado, se enveredou por um arbusto alto entrou numa fresta estreita deu de cara com um homem. Se enroscou em suas pernas. e soltou um longo gemido. Miau.
Um pasto vazio, amplo e coberto da mais fina geada, eram assim os dias, em certas almas. O mundo porém era a cidade, em que viviam estéreis e urgentes. Se necessitavam, se pediam, se queriam e num encontro furtivo, davam as mãos como um crime silencioso e prazeroso. Era triste saber disso, que a vida pedia e o mundo negava. E eram lascivos por erro e por necessidade também. Mas tais visões são...
September 2011
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Pousou no parapeito da janela e o gato traçou. (Nem vem me olhar assim, a vida é essa mesmo: pá-pum).
E, se desfazendo aos poucos em
sonhos calados,
morreu o poema que queria falar de amor e só tinha cinzas no peito.
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Escuta minha querida, não te conheço, não sei nada sobre você, não me olha com carinha de cachorro molhado não: o mundo é cão raivoso. A gente dá a chance de coração aberto, mas sinceridade não tem tempo para jogos da mente nem do coração, a chance é para quem quer se dar numa amizade de corpo inteiro e presente. Deixa de jogo; deixa você florescer dentro de si…
August 2011
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Heitor FAS: Interior →
heitorfas:
Para quem não sabe, eu moro em Ribeirão Pires. Muitas pessoas dizem que aqui já é uma cidade do interior, mas eu discordo.
Atualmente, eu estou pegando trens todas as semanas.
Terça passada, eu estava voltando para Ribeirão Pires quando ouvi um pessoal de Santo André falando mal de Ribeirão,…
Sabe dia de garoa?
Sabe dia assim, à toa?
Sabe dia sem beleza?
Sabe dia de incerteza?
Sabe reza sem fervor?
Vaso sem flor?
Gelatina sem sabor?
Viagem por obrigação,
espera por condução,
beijo sem amor,
chá quente no calor,
passeio sem vontade,
retribuir por piedade.
Amor de comiseração,
sem um pingo de verdade.
Dia nublado,
à prostração dedicado.
Mas, mesmo assim, há a ausência. Mas não há falta.
Não sei isso explicável, apenas sei que não está, deveria estar, mas não falta deveras. Sua ausência é minha espera e repouso.
Eu queria te dizer algo, mas as palavras foram se fundindo, até que as palavrasjánãofaziamsentidoeficaramperdidasneostpeaçmopo.
Heitor FAS: Memória →
heitorfas:
Existe um sério problema de memória comigo. Eu esqueço das coisas muito rápido. Eis algumas situações:
-Eu estou vendo TV, e derepente sinto uma vontade de beber alguma coisa e de ir no banheiro. Então vou até a cozinha e abro o lixo pra mijar. 0_0
-Estou andando e de repente eu não sei pra…
Desse recato, quase afronta, negar a forma mais simples e querer, com astúcia, persistir naquilo que todos já descartaram como erro, ilusão, não me culpe. É uma dor que está me santificando pelo menos no meu altar muito íntimo, é um sacríficio onde anos como ovelhas estão sendo sacrificadas sem culpa. Vejo o tempo passar com seu chapéu tão solene. E desses outros chapéus não tão solenes e sua...
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How to make a Hipster picture on Tumblr
adamantadamant:
take a picture of anything, like nuts
mess with the brightness and stuff
change the blueness
add some vague text in Helvetica
AND THERE YOU HAVE IT.
tastefullyoffensive: